O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, denunciou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) o vazamento de conversas íntimas e informações pessoais extraídas de seu celular, apreendido pela Polícia Federal (PF).
Os advogados apontam uma violação da privacidade do banqueiro com a divulgação de mensagens particulares sem relação com os fatos investigados pela PF.
Papel da CIDH
- Proteção dos direitos humanos: a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) é um órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), com sede em Washington, nos Estados Unidos, responsável por promover e proteger os direitos humanos nas Américas;
- Recebimento de denúncias: a CIDH analisa denúncias de possíveis violações de direitos humanos cometidas por países, incluindo o Brasil, e pode solicitar medidas urgentes para proteger pessoas em situação de risco;
- Atuação internacional: a Comissão pode cobrar explicações dos governos, recomendar providências e encaminhar determinados casos à Corte Interamericana de Direitos Humanos. A CIDH não tem poder para determinar diretamente a soltura de uma pessoa presa.
Vorcaro alega que conteúdos do aparelho, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro do ano passado, foram vazados, expondo sua vida privada.
Entre no canal de WhatsApp
da Coluna Manoela Alcântara
A defesa sustenta que a PF tinha a responsabilidade de proteger as informações obtidas durante as investigações.
Outro ponto levantado pelos advogados é a divulgação de trechos de supostos anexos de uma colaboração premiada que não chegou a ser firmada.
O banqueiro chegou a negociar uma colaboração por três vezes, mas o conteúdo foi rejeitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela própria PF.
“Conteúdos do aparelho celular apreendido, inclusive conversas íntimas sem nenhuma relação com a investigação, foram expostos publicamente. O ministro decano do próprio Supremo Tribunal Federal [ministro Gilmar Mendes] classificou o episódio como ‘barbárie institucional’. A defesa havia alertado formalmente para o risco antes que ele se concretizasse. Também vieram a público trechos de supostos anexos de colaboração premiada não celebrada, protegidos por sigilo legal, cuja autenticidade a defesa não reconhece”, salientam os advogados.
O documento foi apresentado à CIDH na última terça-feira (27/10) e tornado público nesta segunda-feira (2/11). O pedido ainda não foi analisado pela Comissão.
Vorcaro denuncia “violação de direitos humanos” à Comissão Interamericana e pede que STF julgue pedido de l… by contatopablogiovanni
Denúncia
Os advogados de Vorcaro denunciaram o Brasil à CIDH e pediram ajuda ao órgão internacional para conseguir a liberdade do empresário, preso desde março deste ano.
A defesa acionou a Comissão alegando que Vorcaro está sendo vítima de violações de direitos humanos e que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não analisou um pedido de soltura apresentado em 18 de setembro.
Segundo os advogados, até o momento não há denúncia da PGR contra o banqueiro.
A defesa também afirma que a prisão preventiva de Vorcaro não foi reavaliada a cada 90 dias, como determina a legislação brasileira.
“Até hoje não há denúncia nem ação penal. O indiciamento lançado nesta semana em relatório parcial da Polícia Federal não é acusação formal: é ato unilateral da autoridade policial, praticado em apenas uma das investigações ainda inconclusa e apoiado em prova cuja integridade não pode ser verificada. A revisão da prisão a cada 90 dias, que a lei brasileira torna obrigatória, não foi feita”, escreveram os advogados.
A defesa destaca que o pedido de reavaliação da prisão segue pendente no STF enquanto o Caso Master, originalmente sob relatoria do ministro André Mendonça, está sob responsabilidade do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Conforme já mostrou a coluna, os advogados de Vorcaro pediram que Fachin permita a Mendonça analisar o pedido de soltura.
“A decisão de 29 de outubro manteve o caso na Presidência, em caráter provisório, mas o pedido de liberdade apresentado em 18 de setembro continua sem ser apreciado. E, como o caso está na mais alta corte do país, não há instância superior a que recorrer. Não se trata de simples demora: há uma pessoa presa e, há mais de 40 dias, nenhuma decisão sobre o seu pedido. Persiste a negação do próprio acesso à Justiça”, prosseguiu a defesa.




































