bióloga diz que caso é raro e comportamento atípico

Após uma criança de 8 anos ser atacada por uma onça-parda em uma cachoeira na Chapada dos Veadeiros (GO), um dos principais destinos de ecoturismo do país, o caso chamou a atenção pela raridade e o comportamento atípico para esse tipo de animal. Segundo a bióloga do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) Marina Mota, ataques desse tipo são incomuns e considerados atípicos.

De acordo com a especialista, o comportamento natural dos grandes felinos é evitar o contato com seres humanos. Ela explica que a presença humana em áreas de mata costuma afastar os animais por causa de luzes, sons e movimentação.

“Então geralmente os animais, quando a gente está no ambiente deles, dentro de uma mata, numa cachoeira, eles percebem a nossa presença muito antes da gente perceber a deles. E assim, eles já se escondem e fogem. Tanto é que o encontro de pessoas com animais silvestres é raro”, afirmou Marina.

A bióloga destacou ainda o intenso fluxo turístico na região da Chapada dos Veadeiros. Segundo dados do Ministério do Turismo, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros recebeu mais de 75 mil visitantes em 2021.

“Se a gente for fazer uma conta, quantas pessoas visitam a Chapada e quantas pessoas visualizam um animal silvestre?”, questionou Marina.


Entenda o caso

  • Uma criança de 8 anos foi atacada por uma onça-parda na região da Cachoeira do Cordovil nessa quinta-feira (14/5).
  • Segundo informações preliminares o animal estava em cima de uma árvore no momento em que foi avistado.
  • O ataque ocorreu no momento em que a família voltava da cachoeira.
  • A vítima acabou ferida no rosto, recebeu pronto atendimento e foi encaminhada ao Hospital Municipal de Alto Paraíso, com apoio do santuário.
  • A criança recebeu atendimento imediato e segue acompanhada pela família e pelas equipes responsáveis em Brasília.
  • Segundo o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF), responsável pela gestão do Hospital de Base do Distrito Federal, a criança terá que passar por uma cirurgia plástica.
  • A Cachoeira do Cordovil foi fechada temporariamente para visitação após o incidente.

“Comportamento muito atípico”

Questionada sobre o que poderia ter motivado o ataque, Marina evitou antecipar conclusões e reforçou que o comportamento foge do padrão observado nesses animais.

“É um comportamento muito atípico, muito atípico desses felinos atacar seres humanos”, destacou.

A recomendação da especialista, em caso de encontro com uma onça, é manter a calma. Segundo ela, na maioria das situações o animal apenas segue o próprio caminho e evita o confronto, mas caso isso não aconteça, há duas formas de agir.

“Caso isso não ocorra, o que é raro novamente, e você estiver em grupo, você junta essas pessoas, mas não corra, nunca pode correr. Junta as pessoas e [você] pode levantar os braços e emitir som, sons graves para mostrar: ‘Olha, nós somos fortes, o confronto para você vai ser um prejuízo’. E ela vai geralmente seguir o seu caminho”, explicou.

Marina também orienta turistas a utilizarem apitos ou outros dispositivos sonoros durante trilhas como forma de prevenção, embora ressalte que esses recursos devem ser usados apenas em situações de risco iminente.

“Geralmente ela [a onça] vai virar as costas e seguir o seu caminho. Caso ela não vire as costas, reúna todo mundo, levanta os braços, emita sons e se tiver um apito, apita e faz barulho que ela vai seguir o seu caminho”, acrescentou.

Expansão urbana e presença de animais

Sobre os frequentes relatos de onças e outros animais silvestres próximos de áreas urbanas, a bióloga afirma que a percepção de aumento da fauna é equivocada. Segundo ela, o avanço das cidades sobre áreas naturais faz com que os animais fiquem mais expostos.

“O que ocorre agora, e que a gente está vendo, é que a expansão urbana no DF está crescente e contínua, não está parando. Então, estamos tendo perdas de ambientes naturais. Com a perda desses ambientes, a fauna fica mais exposta”, explicou.

Ela reforçou que a região onde ocorreu o ataque já é conhecida pela circulação de onças-pardas e destacou o trabalho de preservação realizado pela Fazenda Volta da Serra, responsável pela área onde ficam a Cachoeira do Cordovil e a Cachoeira Esmeralda.

“Já é sabido da presença dessas onças, até mesmo porque a fazenda fica no limítrofe ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros que concentra uma rica fauna”, disse Marina.

“Essa fazenda até contribui para preservação desse Parque Nacional porque ela faz um cinturão ali em volta do parque. Então, a gente sabe que a fauna circula ali do parque para a fazenda ou da fazenda para o parque”.

O Ibram informou que lamenta o ocorrido e se solidariza com a família e todos os envolvidos.

Cachoeira fechada temporariamente

A Cachoeira do Cordovil foi fechada temporariamente para visitação. A medida foi anunciada pelo Santuário Volta da Serra, responsável pela conservação e administração do local.

Segundo o santuário, desde o ocorrido foram iniciadas revisões e reforços nos protocolos de visitação, sinalização e orientação preventiva aos turistas, em alinhamento com profissionais especializados e órgãos competentes.

A suspensão das atividades foi divulgada em nota publicada nas redes sociais. Na publicação, o Santuário informou que a decisão foi tomada voluntariamente para permitir uma análise técnica do caso.

“A direção do Santuário reforça seu compromisso com a segurança dos visitantes e colaboradores, permanecendo à disposição para prestar assistência integral à vítima e à sua família, além de colaborar com os procedimentos oficiais cabíveis”, informou a administração.



Tribunal Brasília

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Noticias Relacionadas

Categorias

Redes Sociais