Durante julgamento de um dos assassinos de Thalita Marques Berquó Ramos, 36 anos, o promotor de Justiça Gladson Raeff descreveu o crime não apenas como um homicídio, mas como uma manifestação de puro “desprezo pela vida”. A declaração foi dada na fase de debates, que ocorreu na tarde desta quinta-feira (14/5), no Tribunal do Júri do Guará.
João Paulo Teixeira da Silva, 37 anos, foi condenado a 29 anos, 11 meses e 23 dias de prisão, inicialmente, em regime fechado, por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores.
Os jurados também acolheram as três qualificadores apontadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT): motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Durante a sustentação, o promotor enfatizou a crueldade desmedida do réu. Segundo o relato, a violência aplicada pelo acusado demonstrou que, para o assassino, a vida da vítima não possuía qualquer valor. O ponto mais sensível da manifestação foi a menção à impossibilidade de um adeus digno por parte dos familiares de Thalita.
“A família não pôde sequer realizar um sepultamento digno. Como se faz o sepultamento de uma pessoa que teve a cabeça arrancada?”, questionou o promotor.
O depoimento apresentado pelo autor, no qual ele negou participação na morte da vítima, foi classificado pelo promotor como “conversa fiada” e desprovida de qualquer crédito.
De acordo com Raeff, o que sustenta a acusação são os laudos periciais, que revelam um cenário de grande violência antes da morte, bem como o depoimento dos outros envolvidos no crime.
“A vítima foi atingida por 18 golpes de faca concentrados na região do tronco. A perícia confirmou que as lesões foram produzidas enquanto Thalita ainda estava viva”, afirmou o promotor.
Ainda, segundo o promotor, o sofrimento imposto pelas múltiplas facadas e as pedradas e pauladas em vida foram apontados como as causas diretas do óbito de Thalita.
“O sofrimento é muito grande pra todos nós”, disse a mãe de Thalita Berquó ao Metrópoles
FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Grupo fez uma roda de oração diante do Fórum antes do início do júri
FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Família de Thalita espera condenação e pena máxima para o acusado de matar a mulher
FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Thalita Berquó foi morta e esquartejada em 13 de janeiro de 2025
FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Familiares e amigos de Thalita Berquó se reuniram no Fórum do Gama para o júri do acusado de matar a mulher
FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Thalita foi lembrada pela família como “uma jovem carinhosa, humilde e muito ligada à família”
FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Thalita Berquó foi morta aos 36 anos com requintes de crueldade
FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
O crime
Thalita foi morta e esquartejada em 13 de janeiro de 2025, em uma área de invasão no Parque Ezechias Heringer, no Guará (DF).
A vítima teve a cabeça e as pernas arrancadas e jogadas pelos assassinos em um córrego da região. O tronco foi enterrado na área.
Nos dias que se seguiram ao crime, a cabeça e as pernas de Thalita foram encontradas na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Companhia Ambiental de Saneamento do Distrito Federal (Caesb), no Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), próximo à Vila Telebrasília.
A vítima esteve em uma invasão dentro do parque, para comprar drogas. Porém, um desentendimento entre ela e os autores do crime teria ocorrido e culminado no homicídio.
A discussão estaria relacionada à qualidade dos entorpecentes vendidos por eles a Thalita, que acabou morta a pedradas e facadas
Os outros dois envolvidos no caso, que eram adolescentes à época do crime, respondem na Vara da Infância e da Juventude por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.



































