Sem cargo em 2027, vice de Flávio tem foco na Prefeitura de Maceió em 2028

O deputado federal e candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar (PL-AL), não terá um mandato eletivo em 2027. Com isso, ele retorna a Alagoas com planos de fortalecer a base e, em dois anos, deve disputar a Prefeitura de Maceió.

Gaspar assumiu o comando do diretório estadual do PL alagoano no início do ano, com planos de disputar uma das duas cadeiras ao Senado e de costurar uma aliança da direita ao redor do candidato vitorioso ao governo do estado, João Henrique Caldas, o “JHC”.

Meses depois, porém, as prioridades mudaram e ele foi escolhido para ser vice de Flávio. Apesar de integrar a chapa presidencial, Gaspar não deixou de lado as articulações estaduais e agora, deve reorganizar o diretório e tentar ampliar a base.


Quem é Alfredo Gaspar

  • Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, 56 anos, nasceu em Maceió (AL). É advogado e fez carreira no Ministério Público estadual antes de entrar na política em 2020
  • Em 2015, à frente da promotoria da capital, foi indicado pelo então governador Renan Filho (MDB) para ser Secretário de Segurança Pública
  • Um ano depois da indicação, foi afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que vetou integrantes do MP de exercer cargos no Executivo sem deixar efetivamente a carreira
  • De volta à promotoria, foi procurador-geral de Alagoas entre 2017 e 2020, quando pediu exoneração do MP para poder concorrer à Prefeitura de Maceió pelo MDB. Naquele pleito, liderou o 1º turno, mas perdeu para JHC no 2º turno
  • Retornou ao comando da Secretaria de Segurança Pública no segundo mandato de Renan Filho em 2021, mas rompeu com o governador um ano depois e migrou para o União Brasil, se lançando e se elegendo deputado federal no ano seguinte
  • No Congresso, foi gradualmente se aproximando da oposição bolsonarista. Entre 2025 e 2026, foi relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
  • Gaspar foi alvo de um pedido de investigação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) por suposto estupro de vulnerável. O caso foi posteriormente arquivado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes
  • Após destaque conquistado pela posição, migrou para o Partido Liberal em março e passou a comandar a sigla em Alagoas depois da saída conturbada de JHC da legenda. Meses depois, foi escolhido para ser vice de Flávio Bolsonaro em uma chapa puro-sangue

O PL em Alagoas conquistou duas cadeiras na assembleia legislativa, dentre elas a de Cabo Bebeto, o mais bem votado do estado, com mais de 99 mil votos. O partido também espera compor o governo JHC em troca de apoiar o tucano contra Renan Filho (MDB).

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do Metrópoles

Aliados do deputado, ouvidos sob reserva pelo Metrópoles, apontam que pleitear o comando da capital é o “caminho natural” para Gaspar. Apesar de Lula ter vencido em Alagoas tanto no 1º quanto no 2º turno, Maceió deu 52% dos votos a Flávio em ambos.

Com a derrota nas urnas, Flávio passou a repetir que as eleições foram fraudadas e saiu do Brasil rumo aos Estados Unidos apesar de ter um pedido de retenção de seus passaportes expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. Gaspar não entoou o questionamento ao sistema eleitoral, agradeceu aos eleitores, mas defendeu a saída do senador do país e disse que a direita é “perseguida”.

Gaspar ganhou destaque no cenário nacional como relator da CPMI do INSS, que pediu o indiciamento do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O relatório acabaria rejeitado por manobra do governo, mas deu visibilidade para ele e para a oposição.

Se confirmada, a candidatura não seria a primeira vez de Gaspar na disputa. Apesar de hoje estar na oposição ao grupo político comandado pelo senador Renan Calheiros (MDB), em 2020 foi candidato do MDB ao cargo. Liderou o 1º turno, mas perdeu para JHC de virada.

Em 2028, também poderá se opor ao tucano, já que ele deverá tentar emplacar o sucessor dele, Rodrigo Cunha (sem partido), atual prefeito e que foi vice de JHC. Além dele, o MDB ainda deve se reorganizar depois da derrota neste ano.



Tribunal Brasília

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