Uma troca de mensagens entre a companheira de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e um integrante do Comando Vermelho (CV) revelou outro apelido utilizado para se referir ao traficante, preso há mais de duas décadas.
Conhecido nacionalmente como Marcinho VP, ele também é chamado de “Nego” por amigos e familiares próximos.
A informação consta de uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), cujos elementos foram utilizados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) em uma acusação contra integrantes da facção criminosa.
O apelido aparece em uma conversa entre Márcia Nepomuceno, companheira de Marcinho VP, e Luiz Paulo Silva de Souza, o Magrão, sobre um pedido de dinheiro a Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, apontado como uma das lideranças do tráfico no Complexo do Alemão.
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da Coluna Manoela Alcântara
No diálogo, Márcia informou que havia solicitado R$ 28 mil para custear despesas familiares. Desse total, R$ 8 mil seriam destinados à realização de um chá de bebê, enquanto os outros R$ 20 mil serviriam para comprar móveis para uma filha.
Ao explicar como o valor deveria ser contabilizado, ela afirmou que a quantia seria posteriormente descontada de “Nego”.
Os promotores identificaram o codinome como uma referência a Marcinho VP. O órgão descreve a expressão como outra alcunha atribuída ao traficante, além daquela pela qual ele ficou conhecido nacionalmente.
Para o Ministério Público, o episódio reforça a suspeita de que Marcinho VP continuaria exercendo influência sobre a movimentação de recursos da organização criminosa, apesar de estar encarcerado há décadas.
Os diálogos foram encontrados no celular de Márcia, apreendido durante diligências relacionadas a um inquérito instaurado em São Paulo para investigar uma suspeita de disparo de arma de fogo envolvendo o rapper Oruam, filho do casal.
Márcia está presa desde o mês passado, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), por suspeita de impor um monopólio no fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Deixa seu pai investir em você”
A investigação também identificou outras conversas nas quais Oruam menciona pedidos de dinheiro ao pai.
Em uma delas, Oruam afirma à mãe que costumava solicitar valores, mas não recebia as quantias pedidas.
O rapper também faz referência a uma possível mesada, circunstância interpretada pelos investigadores como indício de pagamentos periódicos ligados aos recursos administrados pelo pai.
Em outra mensagem, Márcia aconselha o filho a aceitar ajuda financeira de Marcinho VP: “Deixa seu pai investir em você”.
Para a Polícia Civil, os diálogos reforçam a suspeita de que Marcinho VP continuaria movimentando recursos financeiros mesmo dentro do sistema penitenciário, inclusive para custear apresentações musicais do filho.




































