Entenda a devoção popular que atrai visitantes ao túmulo de Ana Lídia

Assassinada aos 7 anos, em 1973, Ana Lídia Braga se tornou símbolo de fé e devoção popular em Brasília. Mais de cinco décadas após o crime, a menina é considerada santa por muitoas pessoas, que visitam seu túmulo no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul (DF), para fazer orações, pedir milagres e agradecer por graças alcançadas.

Nesta segunda-feira (2/11), Dia de Finados, o jazigo de Ana Lídia voltou a receber visitantes que foram ao local para prestar homenagens, acender velas e fazer orações em memória da menina.

Entre as visitantes estavam Esmeralda Pereira, de 65 anos, acompanhada de Graciele Pereira, 28, e Idaiza Pereira, 69. As três passaram pelo túmulo da menina para acender velas e fazer orações.

Esmeralda contou que a visita ao túmulo da menina faz parte de uma tradição familiar. Todos os anos, ela e os parentes aproveitam a ida ao cemitério para acender velas e fazer orações. “Sempre a gente vem, todos os anos. Passa aqui, acende uma vela também. E nós acendemos a vela, oramos, fazemos nossas orações”, relatou.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles DF

1 de 6

O feriado de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2/11), movimenta o Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul

HUGO BARRETO/METRÓPOLES
@hugobarretophoto

2 de 6

Amigas visitam túmulo de Ana Lídia no dia de finados

HUGO BARRETO/METRÓPOLES
@hugobarretophoto

3 de 6

O feriado de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2/11), movimenta o Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul

HUGO BARRETO/METRÓPOLES
@hugobarretophoto

4 de 6

O feriado de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2/11), movimenta o Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul

HUGO BARRETO/METRÓPOLES
@hugobarretophoto

5 de 6

Familiares acendem velas e fazem preces para parentes que ja partiram

HUGO BARRETO/METRÓPOLES
@hugobarretophoto

6 de 6

Oração e tradição nos cemitérios do DF

HUGO BARRETO/METRÓPOLES
@hugobarretophoto

Segundo ela, a família costuma visitar o local em grupos maiores, mas, neste ano, nem todos conseguiram comparecer. “Esse ano não deu para vir todo mundo, porque o pessoal trabalha, outros estão com problemas de saúde. Mas hoje somos só nós três”, explicou.

Esmeralda acrescentou a irmã é devota de Ana Lídia e inclusive, teve uma promessa atendida.

O túmulo é um dos mais visitados do cemitério e se tornou um local de devoção popular na capital federal. A sepultura costuma ficar coberta por flores, fotografias, cartas e objetos deixados por pessoas que acreditam na santidade de Ana Lídia.

Uma das placas deixadas no túmulo ao longo dos anos traz um agradecimento pela aprovação em um mestrado. Os objetos e as mensagens deixados no local mostram como a história da menina permanece viva na memória e na fé de muitos brasilienses.

1 de 7

Ana Lidia, foi morta aos 7 anos

Arquivo/Arte Metrópoles

2 de 7

O Parque Ana Lídia fica no Estacionamento 12 e recebe crianças diariamente

Hugo Barreto/Metrópoles

3 de 7

Túmulo de Ana Lídia Braga no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul

Hugo Barreto/Metrópoles

4 de 7

Bonecas também são deixadas no jazigo

Hugo Barreto/Metrópoles

5 de 7

O túmulo de Ana Lídia é um dos mais visitados no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul

Hugo Barreto/Metrópoles

6 de 7

Criança foi morta em 1973

Gustavo Moreno/ Especial para o Metrópoles

7 de 7Gustavo Moreno/ Especial para o Metrópoles

Quem foi Ana Lídia, morta aos 7 anos

Ana Lídia Braga desapareceu na tarde de 11 de setembro de 1973, após ser deixada pelos pais na porta de uma escola particular da Asa Norte, onde teria aulas de reforço.

No dia do desaparecimento, uma testemunha relatou ter visto um homem alto e loiro, que vestia blusa branca e calça verde militar, abordar a menina. Segundo o relato, os dois deixaram a escola juntos.

O irmão de Ana Lídia, Álvaro Henrique Braga, tinha 18 anos quando a menina foi raptada e, posteriormente, encontrada morta. Na época, a polícia o apontou como principal suspeito de ter buscado a irmã na escola.

Contra ele pesavam acusações de envolvimento com drogas e suspeitas de dívidas com traficantes. Em depoimento, Álvaro afirmou ter consumido maconha apenas três vezes e relatou que havia pedido dinheiro emprestado ao pai e a amigos para pagar o aborto da namorada, que estava grávida de um mês.

Os pais de Ana Lídia, no entanto, sempre negaram o envolvimento do filho no crime. Segundo a família, Álvaro estava com eles no momento em que deixaram a menina na escola e seguiria para a Rodoviária do Plano Piloto para tirar a primeira habilitação.

Para a polícia, Álvaro não teria agido sozinho. Outro suspeito era Raimundo Lacerda Duque, então com 30 anos, que trabalhava no mesmo local que a mãe de Ana Lídia.

Duque, que tinha envolvimento com drogas, confessou à polícia ser pedófilo. Em depoimento, afirmou que soube do desaparecimento da menina apenas pelo rádio. Após descobrir que era procurado pelo assassinato, permaneceu foragido por cinco meses.

Acusados foram absolvidos por falta de provas

Em 1974, a Polícia Federal (PF) proibiu a divulgação do caso na imprensa. Os dois principais acusados permaneceram presos por mais de um ano enquanto aguardavam julgamento.

Em 16 de junho de 1975, Álvaro Henrique Braga e Raimundo Lacerda Duque foram absolvidos por falta de provas.

Dez anos depois, em 1985, o processo foi reaberto após o surgimento de novas informações sobre o assassinato. No entanto, as investigações não avançaram por falta de provas, e o caso foi novamente encerrado.

O crime prescreveu em 11 de setembro de 1993, exatamente 20 anos após o desaparecimento de Ana Lídia.

Duque morreu em 2005, em decorrência de problemas relacionados ao alcoolismo. A mãe de Ana Lídia, que sempre negou o envolvimento do filho no assassinato, também morreu naquele ano, em março.

Após a absolvição de Álvaro Henrique, o pai da menina, Álvaro Braga, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Ele morreu na capital fluminense, em 2011, sem nunca ter concedido entrevistas sobre o caso.

Já o irmão de Ana Lídia, Álvaro Henrique Braga morreu em 25 de novembro de 2025. Ele morava no Rio de Janeiro, onde atuava como médico desde 1983.



Tribunal Brasília

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Noticias Relacionadas

Categorias

Redes Sociais