Hackers invadiram apps de alertas de guerra da Rússia e da Ucrânia

A Ucrânia e a Rússia relataram que seus sistemas de alerta via aplicativo foram alvos de ataques cibernéticos durante a noite desse domingo (1º/11). São aplicativos móveis que enviam avisos e alertas de ataques aéreos, informando os cidadãos sobre a aproximação de mísseis e drones (orientando, assim, que os moradores busquem abrigo ou se dirijam a um bunker).

Esta parece ser a primeira invasão hacker nessa escala desde o início da guerra, inutilizando diretamente um dos canais de comunicação mais importantes de que as autoridades dispõem para orientar a população. Em Kiev, os moradores receberam uma série de alertas incomuns na noite desse domingo, ao longo de aproximadamente uma hora.

Normalmente, as pessoas recebem vários alertas por dia sobre a aproximação de drones ou mísseis russos; após quatro anos vivendo em uma zona de guerra, os moradores já estão acostumados a ouvir seus celulares tocarem, muitas vezes seguidos pelo som de sirenes nas ruas.

No entanto, essas mensagens alertavam para ameaças completamente diferentes: risco de radiação nuclear, ataque químico e até mesmo combates nas ruas de Kiev.

Uma das mensagens foi enviada em russo, um sinal claro de que algo estava, no mínimo, estranho.

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do Metrópoles

As mensagens enviadas foram:

  • 22:47: “Ameaça de radiação. Risco de radiação declarado em Kiev.”
  • 22:48: “Olá! Haverá um alerta nuclear em toda a Ucrânia. Não se preocupem, é o Oreshnik voando” [Esta mensagem estava escrita em russo].
  • 22:49: “Ameaça química. Há risco de um ataque químico em Kiev. Não saiam de casa.”
  • 22:49: “Ameaça de combates nas ruas. Estão ocorrendo combates nas ruas de Kiev. Não saiam de casa.”
  • 23:53: É enviado um aviso de fim de alerta.

Em menos de uma hora, as autoridades ucranianas divulgaram mensagens no Telegram informando que acreditavam que o sistema dos aplicativos havia sido comprometido.

Notificações suspeitas

O canal de alertas de ataques aéreos informou que “partes não autorizadas” interferiram no sistema, que foi temporariamente retirado do ar. As autoridades orientaram os usuários a não clicarem em links presentes em “notificações suspeitas”.

A Força Aérea escreveu no Telegram: “O aplicativo de alerta aéreo provavelmente sofreu uma interferência hostil. Não há ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações em nosso canal”.

Grupo cibernético ucraniano Atesh

Na Rússia, as autoridades informaram, nesta segunda-feira (2/11), que hackers obtiveram acesso ao aplicativo móvel do Ministério de Situações de Emergência para envirar as informações falsas.

O Ministério de Situações de Emergência comunicou que precisou tirar o aplicativo do ar temporariamente, mas tranquilizou a população ao afirmar que o sistema de alerta mais amplo — que inclui mensagens SMS, transmissões, sirenes nas ruas e alto-falantes — continua em funcionamento.

O ministério russo não indicou os responsáveis ​​pelo ataque. No entanto, a mídia ucraniana relatou alegações do grupo cibernético ucraniano Atesh de que eles teriam sido os autores do envio das mensagens, as quais também continham ameaças nucleares.

Com informações do jornal britânico The Guardian.



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