Os três sócios da Naskar presos nessa quarta-feira (22/7) mudaram constantemente de endereço desde que as investigações do caso tiveram início, em maio deste ano, após o Metrópoles noticiar o golpe dado pela empresa em 3 mil clientes. Para os investigadores, trio estava se escondendo da polícia.
Além de presos, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato (foto em destaque), também tiveram contas bloqueadas. Eles são acusados de terem causado prejuízo superior a R$ 900 milhões nos 3 mil investidores da Naskar espalhados pelo país.
“Eles trocaram de endereços várias vezes nos últimos dois meses, estavam se escondendo”, afirma ao Metrópoles o diretor da Divisão de Defraudações e Falsificações da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Difraudes-Corf), Henry Galdino.
De acordo com o delegado do caso, nenhum dos três sócios resistiu à prisão no momento da abordagem, na tarde dessa quarta-feira (22/7). Um deles, Rogério Vieira, foi detido enquanto dirigia. O trio investigado por fraude optou por ficar em silêncio durante todo depoimento dado à polícia.
Mesmo diante da dívida de quase R$ 1 bilhão, o delegado informou que todos os ex-sócios da Naskar estavam morando em condomínios de luxo em São Paulo — um deles foi encontrado em Riviera de São Lourenço, bairro praiano de Bertioga (SP).
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do Metrópoles DF
Investigações
A investigação da PCDF aponta que a empresa captava recursos de clientes com a promessa de rentabilidade de 2% ao mês, percentual acima do praticado pelo mercado. A empresa atuou por cerca de 13 anos até interromper, em maio deste ano, o pagamento dos rendimentos aos investidores.
A Naskar chegou a ter sede no Distrito Federal e, posteriormente, passou a funcionar em um endereço fixo em São Paulo. Na época, clientes passaram a relatar que não conseguiam contato com os responsáveis pela empresa e, dias depois, o aplicativo da fintech saiu do ar.
As investigações da Polícia Civil do DF seguem visando recuperar o patrimônio dos clientes que perderam acesso ao dinheiro investido na fintech após investirem grandes valores.
“É uma investigação difícil, tendo em vista o perfil dos alvos da operação e o valor elevado do prejuízo causado”
Bloqueio de contas
Além dos três ex-sócios e do empresário Douglas Silva de Oliveira, 26 anos, comprador da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda, outras pessoas ligadas à instituição financeira tiveram as contas bloqueadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Entre os alvos está a avó dele, Célia Fátima de Ferreira, 77, para quem Douglas passou a propriedade da Naskar um mês após anunciar a compra.
Quanto ao bloqueio nas contas de Douglas Silva de Oliveira, o Metrópoles apurou que foram confiscados R$ 75 milhões. A decisão foi tomada na última terça-feira (21/7), um dia antes da prisão dos ex-sócios.
Douglas se mudou para Dubai, nos Emirados Árabes, na semana passada. Nas redes sociais, ele alega estar “de férias”. O dono chegou a publicar story nesta quinta-feira (23/7) que noticiava a compra de um carro de luxo. “Noticiam tudo mesmo”, disse o dono da Naskar.
Outras sete empresas ligadas à Naskar, entre elas a 7Trust Finance e a Next Instituição de Pagamento, também estão proibidas de fazerem movimentações financeiras.
O TJSP bloqueou as contas das empresas investidas de forma urgente após um investidor lesado mover ação judicial. O bloqueio visa assegurar os valores do cliente enquanto os processos continuam tramitando.
Responsável pela decisão, o juiz Nelson Jorge Júnior, da 13ª Câmara de Direito Privado do TJSP, entendeu que havia um risco grave de o autor da ação judicial não ter mais acesso ao dinheiro por ele investido na Naskar.




































