Ministro da Fazenda, Dario Durigan declarou, em entrevista à Veja, que o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) “possivelmente” será preso no caso do Banco de Brasília (BRB) e Banco Master. A declaração provocou reação do advogado defesa de Ibaneis, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que classificou a fala como “muita irresponsabilidade de ministro de Estado”.
Na entrevista, o ministro afirmou: “A origem do problema do BRB é criminal, o presidente do banco está preso, o ex-governador está investigado, possivelmente será preso também em razão do que a gente tem visto aparecer sobre isso”.
Em nota, o advogado de Ibaneis disse: “É muita irresponsabilidade um ministro de Estado, que só deve conhecer a investigação pela imprensa, falar em responsabilização criminal e até em possibilidade de prisão de uma pessoa que ,até o presente momento, sequer é formalmente investigado”.
Kakay também levantou suspeita de que talvez o ministro tenha “informações privilegiadas, o que seria grave” ou “tenha conversado com o possível delator”. “O governador Ibaneis aguarda com tranquilidade, apoiando a investigação, afinal como governador sempre deu autonomia absoluta ao presidente do BRB e reafirma que está à disposição das autoridades devidamente constituídas”, declarou.
Na entrevista à revista, o ministro da Fazenda comentou as repercussões do caso do BRB e do Banco Master e o acordo homologado no Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar a quebra do banco do DF. Durigan informou que se posicionou contra aporte de recursos da União no caso.
“Um caso muito grave, que se foi pedido na ação no supremo que a União, ou seja, todo o país, pagasse a conta do BRB, o que eu disse que era inadmissível, portanto um problema gerado pelo ex governador do DF e que deve ser resolvido pelo ex governador ou pelo próprio GDF”, declarou.
Ibaneis Rocha
Joel Rodrigues/ Agência Brasília
Após 30 anos de espera, o governador do Distrito Federal (DF) Ibaneis Rocha (MDB) inaugurou a nova Escola Classe 425 de Samambaia, nesta quarta-feira(29/10). A unidade original foi construída com madeira e zinco e tinha sérios problemas de infraestrutura. Era literalmente uma escola de lata.
Renato Alves / Agência Brasília
Ibaneis Rocha
HUGO BARRETO / METRÓPOLES
@hugobarretophoto
EUA e indicadores no Brasil
Também na entrevista à Veja, o ministro da Fazenda falou sobre a classificação pelos Estados Unidos das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. Durigan disse que o Brasil pode sofrer prejuízos relevantes com a nova designação pelos EUA.
“Todas as conversas que tenho levam a crer que isso (impacto econômico da medida) pode acontecer”, disse. Ainda segundo o ministro, “tudo que puder ajudar no combate a essas organizações criminosas é bem-vindo, o que nós não podemos admitir é faca no pescoço, pressão indevida ou intimidação”.
De acordo com o gestor, os primeiros efeitos podem surgir no sistema financeiro, com bancos elevando gastos para evitar eventuais sanções americanas, o que deve ser repassado ao consumidor. “Muito provavelmente vai ter mais taxa bancária e tarifa bancária, mais custos que acabam sendo repassados para o tomador final”, pontuou.
Durigan declarou, também, que o governo Lula “entregará o país muito melhor” do que recebeu e citou indicadores de emprego, inflação e crescimento econômico. “A gente cresceu muito mais do que se projetava”, enfatizou.




































