Em assembleia, professores da UnB aprovam indicativo de greve

Professores da Universidade de Brasília aprovaram o indicativo de greve durante assembleia realizada nesta quinta-feira (14/5). A decisão ocorre em meio ao impasse envolvendo a Unidade de Referência de Preços (URP) e à cobrança da categoria por avanço nas negociações com o governo federal.

O indicativo de greve não estabelece uma data para paralisação das atividades, mas representa um posicionamento formal da categoria de que uma greve poderá ser deflagrada a qualquer instante caso não haja avanço nas negociações.

Durante a assembleia, representantes da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) afirmaram que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) não tem avançado nas tratativas com os professores e defenderam a intensificação da mobilização docente.

Segundo os professores, integrantes da categoria já estiveram no MGI em busca de diálogo, mas alegam que não houve avanço.

Entenda o impasse da URP

  • A insatisfação dos professores está relacionada à forma como o governo federal tem tratado a Unidade de Referência de Preços (URP), benefício incorporado aos salários após reajustes antigos;
  • Segundo a categoria, a nova regra faz com que parte dos reajustes recentes seja usada para reduzir gradualmente o valor da URP. Na prática, os docentes afirmam que até 60% dos aumentos acabam sendo absorvidos, reduzindo o impacto real dos reajustes, como o de 3,5% concedido após a greve de 2024;
  • Os professores também pedem a suspensão de descontos aplicados a aposentados, defendem que a URP não seja usada em progressões e promoções na carreira e criticam a aplicação das mudanças antes do fim do processo judicial sobre o tema.

Ainda nesta quinta-feira (14/5), a mesa diretora da ADUnB informou que participou de uma reunião no Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o processo relacionado à URP.

Estiveram presentes a ministra Cármen Lúcia; a reitora da UnB, Rozana Reigota Naves; a presidente da ADUnB, Maria Lídia Bueno Fernandes; o ex-reitor José Geraldo de Sousa Júnior; e o professor da Faculdade de Direito Antônio Sérgio Escrivão Filho.

Sinalização

Após a reunião, Cármen Lúcia decidiu retirar o processo da pauta do STF e conceder prazo de 30 dias para analisar melhor a questão antes de qualquer julgamento definitivo.

A decisão foi interpretada pelos docentes como uma sinalização de que ainda há espaço para negociação. Apesar disso, a categoria decidiu manter a mobilização e aprovou o indicativo de greve.

 



Tribunal Brasília

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