Delegado detalha investigação sobre morte de Thalita Berquó em júri

O julgamento de João Paulo Teixeira da Silva, um dos assassinos confessos de Thalita Marques Berquó Ramos, 36 anos, começou por volta das 9h30 desta quinta-feira (14/5), no Tribunal do Júri do Guará. A primeira testemunha ouvida em plenário foi o delegado-chefe da 1⁰ Delegacia de Polícia (Asa Sul), Antônio Dimitrov.

Em um depoimento, que durou cerca de 1h30, o delegado responsável pelas investigações do caso reconstitui os últimos passos da vítima e detalhou as diligências que levaram à identificação dos autores da morte brutal.

Thalita foi morta e esquartejada em 13 de janeiro de 2025, em uma área de invasão no Parque Ezechias Heringer, no Guará (DF).

Segundo o delegado, a primeira informação recebida pela polícia foi a localização da cabeça da vítima na estação de tratamento de esgoto, na Vila Telebrasilia, no dia 14 de janeiro de 2025. Na ocasião, a identidade da mulher ainda era desconhecida. A imagem da cabeça da vítima foi mostrada para durante o julgamento.

No dia seguinte, investigadores encontraram uma perna. Em seguida, outra perna foi localizada. Os membros encontrados, porém, ainda não permitiam a identificação da vítima.

A investigação avançou após informações da Caesb indicarem que a rede coletora de esgoto recebia resíduos das regiões do Guará, Núcleo Bandeirante e Vila Telebrasília. Cerca de 20 dias depois, familiares registraram o desaparecimento de Thalita, o que passou a conectar o caso à mulher.

“Quando apareceu a cabeça, já identificamos que tratava-se de um crime violento. A perícia foi imediatamente acionada porque ainda não sabíamos quem era a vítima”, afirmou Dimitrov.

De acordo com o delegado Dimitrov, a mãe de Thalita perdeu contato com a filha no dia 13 de janeiro de 2025. A vítima havia saído de casa em 10 de janeiro para passar o fim de semana com amigos no Guará.

As últimas pessoas que estiveram com Thalita foram ouvidas pela polícia, mas inicialmente omitiram informações importantes. Em novo depoimento, relataram que, na manhã do dia 13 de janeiro de 2025, deixaram a vítima próximo ao Residencial Valentino, no Guará II — região próxima ao local onde ela foi assassinada.

Durante as diligências, a Polícia Civil descobriu que Thalita e os amigos haviam ido até uma invasão conhecida por funcionar como ponto de tráfico de drogas. A informação também havia sido escondida no primeiro depoimento das testemunhas.

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Thalita Berquó foi morta aos 36 anos com requintes de crueldade

FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

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Família de Thalita espera condenação e pena máxima para o acusado de matar a mulher

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Grupo fez uma roda de oração diante do Fórum antes do início do júri

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Acusado de matar e esquartejar a mulher chegou escoltado ao Fórum do Guará

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“O sofrimento é muito grande pra todos nós”, disse a mãe de Thalita Berquó ao Metrópoles

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Thalita foi lembrada pela família como “uma jovem carinhosa, humilde e muito ligada à família”

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Foi a partir desse dado que os investigadores passaram a acreditar que a jovem retornou ao local para comprar mais drogas sozinha.

No decorrer das buscas na invasão, usuários relataram que o ponto de tráfico era controlado por integrantes de uma mesma família.

O primeiro autor identificado pelos investigadores foi um dos adolescentes, que revelou onde o tronco de Thalita havia sido enterrado. A partir das informações fornecidas, os policiais localizaram a parte do corpo da vítima na área da invasão.

Posteriormente, João Paulo Teixeira e um segundo adolescente foram apontados como participantes do homicídio.

De acordo com a investigação, Thalita teria usado drogas no local e entregado o celular como forma de pagamento. Em seguida, houve um desentendimento porque ela quis recuperar o aparelho e chegou a cuspir no rosto de um dos adolescentes envolvidos.

O delegado afirmou que os menores esfaquearam a vítima, enquanto João Paulo a teria agredido com pedaços de madeira e pedras. Um dos menores envolvidos confessou que esquartejou a vítima com faca de açougueiro e descartou os membros do corpo em um córrego.

Os outros dois envolvidos no caso, que eram adolescentes à época dos fatos, respondem na Vara da Infância e da Juventude por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Antes do início do julgamento, a família de Thalita Berquó conversou com o Metrópoles. A mãe da vítima, detalhou o luto após a morte violenta da filha e disse que o “sofrimento é dilacerante”.

 



Tribunal Brasília

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