Leilão da mansão abandonada no Park Way é suspenso. Entenda

O leilão do terreno da mansão abandonada no Park Way, Distrito Federal, que viralizou nas redes sociais pelo aspecto sombrio foi suspenso nesta quinta-feira (7/5).

O Metrópoles apurou que a interrupção do processo foi motivada pela falta de intimação de outra proprietária da casa, que alegou não fazer ideia da situação que se encontra o local. O imóvel pertence a um casal que se separou em 2012.

Após o divórcio, os dois optaram por se distanciar, mas não entraram na Justiça com processo de partilha. Segundo a advogada Pollyana Cruz, que faz a defesa da ex-esposa, o casal resolveu firmar o seguinte acordo: a mulher moraria em um imóvel localizado em Águas Claras, e o homem residiria no lote levantado no Park Way. Ambas as propriedades foram adquiridas pelos dois, que se casaram em regime parcial de bens.

“Ela não foi oficialmente intimada e não fazia ideia do que estava acontecendo com a casa, pois não mantinha contato com o ex-marido. Ela tomou conhecimento sobre a situação após ler as matérias [do Metrópoles]”, disse a advogada.

Por meio de nota, o dono do lote no Park Way negou a situação de abandono. Segundo o homem, os veículos e móveis estão trancados e protegidos dentro da casa, que tem “acompanhamento” e “constante visitação” dele.

Ao Metrópoles, o proprietário disse que o imóvel passa por “litígio em um processo de separação judicial e divisão de bens entre cônjuges”. Além disso, atribuiu a responsabilidade da atual situação do terreno à “incompetência da Justiça” no processo de divórcio.

1 de 7Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
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Na segunda-feira (4/5), antes de a primeira praça do leilão começar, os advogados da proprietária procuraram a Justiça para pedir o cancelamento do procedimento. Por entender que a mulher não foi devidamente intimada, a juíza responsável pelo caso suspendeu a venda do imóvel nessa quinta-feira (7/5).

“A juíza vai avaliar a exceção de preexecutividade. Após, se decidir pela nulidade dos atos, o processo volta ao início. Senão, vai remarcar o leilão. Qualquer uma das decisões pode ser objeto de recurso para o Tribunal. A probabilidade é que ela efetive os pagamentos. Não tem interesse na venda do imóvel. É um bem da família”, explicou a advogada, logo após mencionar que a mulher enxerga a casa como bens para os dois filhos em comum do ex-casal.

A reportagem apurou que o último lance feito no imóvel ocorreu em 5 de maio. O valor ofertado foi de quase R$ 720 mil.

Abandono

O terreno com mais de 2 mil metros quadrados está abandonado há pelo menos 10 anos. A situação da casa viralizou nas redes sociais e intrigou moradores da capital por causa da mobília completa e um exemplar do clássico Porsche 911 na garagem.

Localizada ao lado do Aeroporto Internacional de Brasília, a casa tem dois andares, espaço de lazer e preenche lote em área considerada nobre. Mesmo assim, a propriedade – que conta até mesmo com um pergolado, agora desmoronado – foi deixada à própria sorte.

O Metrópoles foi atrás da história do imóvel, que começa com a compra do lote em 1996. O terreno foi adquirido por um ex-servidor público, casado sob regime parcial de bens. Foi no local que, posteriormente, o casal levantou a casa que abrigaria a família.

Segundo um processo que corre na Justiça, os moradores interromperam o pagamento do condomínio em 2013. Tempos depois, acabaram abandonando o terreno aos poucos.

Após várias tentativas de resolver o impasse e até mesmo buscas infrutíferas por bens do dono da casa para quitação dos débitos, a residência acabou sendo penhorada em 2025. Com a incidência de juros, a dívida hoje chegou a R$ 141.802,16.

A reportagem teve acesso à ação judicial. Nela, uma testemunha declarou, em documento reconhecido em cartório, que o proprietário teria dito, em dezembro de 2023, que “abandonou o imóvel” e que “a Justiça que resolva” a situação.

Como consequência do imbróglio, a casa foi colocada a leilão para pagamento das dívidas.

Cenário de filme de terror

O Metrópoles esteve no endereço. Escondida entre galhos de árvores sem poda, a casa, cujo cenário se assemelha ao de um filme de terror, contrasta em meio a terrenos floridos do residencial.

Na propriedade, móveis empoeirados, teias de aranhas intactas e uma piscina tomada por água suja– encoberta por densa vegetação, denunciam a negligência sofrida pelo lote.

À primeira vista, um detalhe vermelho, em meio a tons predominantes de marrom, atrai o olhar de quem passa pelo local. Na garagem, coberta por uma fina camada de terra, uma réplica do clássico Porsche 911 também carrega as marcas do abandono.

O carro, porém, não foi o único veículo deixado para trás. Além dele, um Fiat Marea, um jetsky e duas motos encontram-se abandonados.

Veja:

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Na porta de entrada — protegida por correntes e cadeados —, um vidro quebrado revela detalhes intrigantes do interior do imóvel.

Como se não tivessem sido tocados pelo tempo, móveis estampados, quadros decorativos e até um porta-retratos apoiado sobre a lareira permanecem em seus devidos lugares.

Na mesa de centro, peças de um jogo de xadrez, perfeitamente posicionadas sobre um tabuleiro, quase convidam o observador para uma partida. Elementos como esses despertaram a curiosidade de moradores de Brasília, que tentam entender o motivo do misterioso abandono da propriedade.

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Como consequência de anos sem reparos, o terreno que circunda a propriedade é repleto de armadilhas.

Por falta de rastelagem, por exemplo, um mar de folhas caídas engole quem tenta se aproximar da casa, tal qual areia movediça. Água parada e árvores que ameaçam tombar também foram apontadas por moradores como tragédias anunciadas.

Metrópoles apurou que o proprietário costuma aparecer esporadicamente no endereço. Apesar disso, nunca teria procurado a administração do condomínio para findar as pendências. Também não realizou reparos nem retirou os veículos abandonados.

O homem acumula, ainda, inúmeros outros processos judiciais também relacionados a falta de pagamentos. No âmbito criminal, tem passagens pela polícia por ameaça, Lei Maria da Penha, difamação e evasão do local de acidente de trânsito.

O outro lado

Conforme informou, a ex-companheira do dono da mansão não foi intimada, prejudicando a “solução do problema” e majorando “a dívida” do condomínio. De acordo com ele, a falta da citação da mulher também “impedirá a realização do leilão”. “Como foi o caso de outro imóvel leiloado indevidamente em 2014”, declarou.

Na nota, o proprietário confirmou a existência de outros processos por inadimplência. “[São] sobre os veículos que lá [na casa colocada a leilão] estão devidamente guardados, aguardando a solução judicial”, explicou.

Ele negou, ainda, ter cometido agressões ou ameaças: “Posso afirmar que são mais especulações infundadas e mentirosas, já que nunca agredi ninguém em minha vida. A única questão, quanto a alguns profissionais da Secretaria de Saúde, foi devidamente denunciada na ouvidoria do GDF”.



Tribunal Brasília

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