{"id":33054,"date":"2026-07-26T03:35:45","date_gmt":"2026-07-26T06:35:45","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalcandango.com.br\/?p=33054"},"modified":"2026-07-26T03:35:45","modified_gmt":"2026-07-26T06:35:45","slug":"por-que-pacientes-com-alta-ficam-ate-9-meses-internados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcandango.com.br\/?p=33054","title":{"rendered":"por que pacientes com alta ficam at\u00e9 9 meses internados"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O quarto de hospital deveria ser apenas uma parada no caminho da recupera\u00e7\u00e3o. Mas, para alguns pacientes, ele acaba se tornando o \u00fanico lugar poss\u00edvel para permanecer. <span class=\"highlight\">Entre 2021 e 2025, 217 pessoas continuaram internadas em leitos de unidade de sa\u00fade mesmo ap\u00f3s receberem alta m\u00e9dica.<\/span> A maioria era formada por idosos dependentes, seguida de pessoas com defici\u00eancia ou pacientes sem fam\u00edlia, moradia ou rede de apoio para voltar para casa. <strong>Em alguns casos, no Distrito Federal, a espera chegou a nove meses.<\/strong><\/p>\n<p>        <iframe title=\"Al\u00e9m do leito: por que pacientes com alta ficam at\u00e9 9 meses internados\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WXl31x9q6Nc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n        <\/iframe><\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada de interna\u00e7\u00e3o social<\/strong> <span class=\"highlight\">e ocorre quando o paciente j\u00e1 n\u00e3o precisa de cuidados hospitalares, mas n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de deixar a unidade<\/span>. Nesses casos, o leito continua ocupado n\u00e3o por uma necessidade cl\u00ednica, mas por uma vulnerabilidade que impede o retorno desse paciente para casa.<\/p>\n<p>Dados da <a href=\"https:\/\/homologacao.saude.df.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Secretaria de Sa\u00fade do Distrito Federal (SES-DF)<\/a> mostram que o tempo m\u00e9dio de perman\u00eancia de pacientes em interna\u00e7\u00e3o social aumentou nos \u00faltimos anos. Em 2021, eles permaneciam, em m\u00e9dia, 90 dias no hospital ap\u00f3s receberem alta cl\u00ednica. Em 2024, esse per\u00edodo chegou a 270 dias \u2014 o equivalente a cerca de nove meses. Os n\u00fameros incluem tanto pacientes que passaram a viver essa situa\u00e7\u00e3o no respectivo ano quanto aqueles que j\u00e1 estavam em acompanhamento desde per\u00edodos anteriores.<\/p>\n<p><strong>Veja os dados:<\/strong><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029Vb5fRx32phHRJiFmFr3W\" class=\"flex justify-center items-center gap-3 px-3 py-2.5 bg-green-500 text-white! no-underline! font-bold rounded-full my-4\"><span class=\"inline-flex gap-3 items-center max-w-10\/12 text-sm leading-4.5 font-semibold font-sans tracking-tighter whitespace-pre-line md:whitespace-normal xs:max-w-9\/12 md:text-lg md:max-w-full\"><svg width=\"40\" height=\"40\" viewbox=\"0 0 24 24\" fill=\"currentColor\" aria-hidden=\"true\" class=\"shrink-0\"><path d=\"M17.472 14.382c-.297-.149-1.758-.867-2.03-.967-.273-.099-.471-.148-.67.15-.197.297-.767.966-.94 1.164-.173.199-.347.223-.644.075-.297-.15-1.255-.463-2.39-1.475-.883-.788-1.48-1.761-1.653-2.059-.173-.297-.018-.458.13-.606.134-.133.298-.347.446-.52.149-.174.198-.298.298-.497.099-.198.05-.371-.025-.52-.075-.149-.669-1.612-.916-2.207-.242-.579-.487-.5-.669-.51-.173-.008-.371-.01-.57-.01-.198 0-.52.074-.792.372-.272.297-1.04 1.016-1.04 2.479 0 1.462 1.065 2.875 1.213 3.074.149.198 2.096 3.2 5.077 4.487.709.306 1.262.489 1.694.625.712.227 1.36.195 1.871.118.571-.085 1.758-.719 2.006-1.413.248-.694.248-1.289.173-1.413-.074-.124-.272-.198-.57-.347m-5.421 7.403h-.004a9.87 9.87 0 01-5.031-1.378l-.361-.214-3.741.982.998-3.648-.235-.374a9.86 9.86 0 01-1.51-5.26c.001-5.45 4.436-9.884 9.888-9.884 2.64 0 5.122 1.03 6.988 2.898a9.825 9.825 0 012.893 6.994c-.003 5.45-4.437 9.884-9.885 9.884m8.413-18.297A11.815 11.815 0 0012.05 0C5.495 0 .16 5.335.157 11.892c0 2.096.547 4.142 1.588 5.945L.057 24l6.305-1.654a11.882 11.882 0 005.683 1.448h.005c6.554 0 11.890-5.335 11.893-11.893A11.821 11.821 0 0020.465 3.488\"\/><\/svg>Entre no canal de WhatsApp <!-- --><br \/>\n<!-- -->do<!-- --> <!-- -->Metr\u00f3poles DF<\/span><\/a><\/p>\n<p>Entre os principais motivos est\u00e3o abandono ou fragilidade dos v\u00ednculos familiares, aus\u00eancia de uma pessoa para prestar os cuidados necess\u00e1rios, falta de moradia adequada e situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, como a de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>O caso de uma adolescente com transtorno do espectro autista (TEA) mostra que a interna\u00e7\u00e3o social tamb\u00e9m atinge cidades do Entorno do Distrito Federal. O <strong>Metr\u00f3poles<\/strong> contou, em outubro de 2025, a hist\u00f3ria de Isabela*, uma jovem de 16 anos que, na \u00e9poca, vivia h\u00e1 tr\u00eas meses no Hospital Municipal do Jardim Ing\u00e1, em Luzi\u00e2nia. <span class=\"highlight\">Agora, em julho de 2026, a adolescente completou um ano morando na unidade de sa\u00fade, onde ocupa um dos 110 leitos de enfermaria do hospital.<\/span><\/p>\n<p>Isabela chegou ao hospital ap\u00f3s perder a av\u00f3, que era respons\u00e1vel pelos cuidados dela em S\u00e3o Paulo. Depois da morte da familiar, a adolescente foi levada para morar com a m\u00e3e, em Luzi\u00e2nia, mas foi abandonada pela genitora no Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (Caps) do munic\u00edpio. Posteriormente, foi encaminhada ao hospital, onde permanece at\u00e9 hoje, \u00e0 espera de uma alternativa de acolhimento.<\/p>\n<p>No local, a adolescente criou v\u00ednculos com os funcion\u00e1rios, que passaram a conhecer seus h\u00e1bitos e prefer\u00eancias. Apesar do carinho recebido pela equipe, a unidade de sa\u00fade n\u00e3o foi planejada para ser moradia permanente. <strong>Segundo a dire\u00e7\u00e3o do Hospital Municipal do Jardim Ing\u00e1, Isabela est\u00e1 em processo de encaminhamento para uma institui\u00e7\u00e3o de acolhimento que possa oferecer uma estrutura adequada \u00e0s necessidades dela.<\/strong><\/p>\n<div class=\"splide-container\">\n<div class=\"pre-slider\">\n<div class=\"splide__first\">\n<div class=\"splide__slide\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"splide main-slider hide\">\n<p><button><span>Fechar modal.<\/span><\/button><\/p>\n<div class=\"splide__metropoles-logo\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Segundo a assistente social e especialista em pol\u00edtica social Erci Ribeiro, que tem experi\u00eancia de atua\u00e7\u00e3o no Hospital Regional de Ceil\u00e2ndia (HRC), a libera\u00e7\u00e3o de um paciente envolve mais do que a avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica (<em>assista no v\u00eddeo acima<\/em>).<\/p>\n<blockquote class=\"m-blockquote m-destaque\">\n<p>\u201cExistem duas formas de alta no ambiente hospitalar. Uma \u00e9 a alta m\u00e9dica, relacionada \u00e0s quest\u00f5es do trato biom\u00e9dico, e outra \u00e9 a alta social, que est\u00e1 relacionada aos elementos psicossociais para a libera\u00e7\u00e3o desse paciente para o domic\u00edlio\u201d, explica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>De acordo com ela, a alta social avalia se a pessoa ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de continuar o tratamento e manter a qualidade de vida fora do hospital. \u201cPrincipalmente quando se trata de pessoas idosas, pessoas com defici\u00eancia, pessoas acamadas ou crian\u00e7as, \u00e9 preciso verificar se existe suporte familiar para receber esse paciente e garantir os cuidados necess\u00e1rios\u201d, afirma.<\/p>\n<h2><strong>Busca por familiares<\/strong><\/h2>\n<p>Quando a equipe identifica que o paciente n\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es para deixar o hospital, o servi\u00e7o social realiza um estudo do caso para buscar alternativas.<\/p>\n<p>\u201cQuando esses condicionantes n\u00e3o s\u00e3o correspondidos, em fun\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ou porque n\u00e3o existe uma pessoa naquele momento para exercer o cuidado e acompanhamento, \u00e9 feito um parecer social justificando a perman\u00eancia dessa pessoa no ambiente hospitalar enquanto a fam\u00edlia se organiza\u201d, explica Erci.<\/p>\n<p><span class=\"highlight\">Segundo a assistente social, muitos casos envolvem pessoas que chegaram ao Distrito Federal vindas de outros estados, mas perderam ou tiveram os v\u00ednculos familiares enfraquecidos ao longo do tempo.<\/span><\/p>\n<blockquote class=\"m-blockquote m-destaque\">\n<p>\u201cS\u00e3o pessoas que vieram para o Distrito Federal em busca de realiza\u00e7\u00e3o pessoal e profissional, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua com v\u00ednculos fragilizados ou at\u00e9 mesmo rompidos. O desafio da equipe do servi\u00e7o social era justamente fazer a busca ativa de refer\u00eancias dessas pessoas, no Distrito Federal ou em outros estados, para que pudesse proporcionar a alta social\u201d, relata.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Mas, segundo Erci, a exist\u00eancia de familiares nem sempre significa que haver\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para a alta. \u201cQuando se trata de fam\u00edlias que t\u00eam um m\u00ednimo de estrutura para oferecer um home care, contratar uma cuidadora ou ter algum membro que possa fazer o acompanhamento, isso \u00e9 preservado e acaba facilitando a alta m\u00e9dica e automaticamente a alta social\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Em outros casos, a fam\u00edlia at\u00e9 existe, mas enfrenta dificuldades financeiras, falta de estrutura ou n\u00e3o consegue assumir a rotina de cuidados.<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"m-blockquote m-destaque\">\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 somente ter uma casa para onde essa pessoa vai se deslocar. \u00c9 preciso avaliar se a estrutura habitacional \u00e9 favor\u00e1vel para o desenvolvimento dessa pessoa e se a din\u00e2mica familiar vai garantir qualidade de vida e a continuidade do tratamento\u201d, afirma.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente complexa para pacientes que perderam autonomia. \u201cS\u00e3o pessoas que precisam de interven\u00e7\u00e3o e acompanhamento tanto na administra\u00e7\u00e3o de medicamentos quanto na higiene pessoal e na alimenta\u00e7\u00e3o, porque naquele momento a autonomia delas n\u00e3o consegue ser viabilizada\u201d, diz.<\/p>\n<h2><strong>Impacto aos pacientes<\/strong><\/h2>\n<p>Embora o hospital garanta assist\u00eancia, permanecer internado por longos per\u00edodos pode trazer impactos para o paciente.<\/p>\n<p>\u201cO hospital \u00e9 um local onde pressup\u00f5e dor, sofrimento, incertezas e riscos. Os v\u00ednculos constru\u00eddos ali com a equipe s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para garantir o bem-estar integral dessa pessoa\u201d, avalia Erci.<\/p>\n<p>Segundo ela, a perman\u00eancia prolongada pode dificultar a retomada de v\u00ednculos familiares e comunit\u00e1rios. \u201cO impacto \u00e9 diretamente social e emocional. \u00c9 preciso fortalecer esses v\u00ednculos, recuperar refer\u00eancias e garantir que essa pessoa tenha novamente um lugar de pertencimento\u201d, afirma.<\/p>\n<h2><strong>DF criou fluxo para reduzir interna\u00e7\u00f5es sociais<\/strong><\/h2>\n<p>Com o objetivo de reduzir a perman\u00eancia hospitalar motivada por quest\u00f5es sociais, a<a href=\"https:\/\/homologacao.saude.df.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Secretaria de Sa\u00fade do Distrito Federal (SES-DF)<\/a> informou que implantou o Guia Intersetorial para Integra\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os de Sa\u00fade e Prote\u00e7\u00e3o Social \u00e0s Pessoas em Situa\u00e7\u00e3o de Rua no Distrito Federal.<\/p>\n<p>A iniciativa estabelece fluxos entre a SES-DF e a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) para organizar o atendimento de p\u00fablicos vulner\u00e1veis, como crian\u00e7as e adolescentes, mulheres e gestantes, idosos em situa\u00e7\u00e3o de rua e outros grupos que precisam de suporte para deixar o hospital.<\/p>\n<p><em>* Nome fict\u00edcio para preservar a identidade da personagem, em respeito ao Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA).<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/distrito-federal\/alem-do-leito-por-que-pacientes-com-alta-ficam-ate-9-meses-internados\">Tribunal Bras\u00edlia <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O quarto de hospital deveria ser apenas uma parada no caminho da recupera\u00e7\u00e3o. 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