{"id":29061,"date":"2026-02-27T11:28:55","date_gmt":"2026-02-27T14:28:55","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunalbrasilia.com.br\/?p=29061"},"modified":"2026-02-27T11:28:55","modified_gmt":"2026-02-27T14:28:55","slug":"casos-de-mpox-exigem-vigilancia-alerta-medico-infectologista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalcandango.com.br\/?p=29061","title":{"rendered":"Casos de mpox exigem vigil\u00e2ncia, alerta m\u00e9dico infectologista"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Henrique Lacerda, infectologista do Hospital Bras\u00edlia, afirma que n\u00e3o h\u00e1 epidemia, mas refor\u00e7a que informa\u00e7\u00e3o e isolamento s\u00e3o essenciais para preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p><small>CB. Sa\u00fade entrevista Henrique Lacerda, infectologista do Hospital Bras\u00edlia &#8211; (cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira\/CB\/D.A Press)<\/small><\/p>\n\n\n\n<p>O infectologista Henrique Lacerda, do Hospital Bras\u00edlia, da Rede Am\u00e9ricas, foi o&nbsp;entrevistado desta quinta-feira (26\/2) no CB.Sa\u00fade \u2014 parceria entre o&nbsp;<strong>Correio<\/strong>&nbsp;e a&nbsp;<em>TV Bras\u00edlia<\/em>&nbsp;\u2014 e disse que os 88 casos de mpox registrados no Brasil em 2026, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00e3o configuram epidemia, mas exigem vigil\u00e2ncia. Durante a entrevista aos jornalistas Sibele Negromonte e Ronayre Nunes, ele explicou formas de transmiss\u00e3o, sintomas, poss\u00edveis sequelas, vacina\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel no SUS, medidas de preven\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m alertou para os riscos de outra doen\u00e7a, o sarampo, que \u00e9 altamente contagioso e pode voltar a avan\u00e7ar diante da baixa cobertura vacinal. Confira os principais trechos da conversa:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Foram registrados 88 casos de mpox no Brasil, em 2026, e um caso confirmado em Bras\u00edlia. Podemos entender como um sinal de alerta? O que sabemos dessa doen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>A mpox \u00e9 causada por um v\u00edrus identificado pela primeira vez na d\u00e9cada de 1970, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, inicialmente associada \u00e0 transmiss\u00e3o de animais para humanos, caracterizando-se como uma zoonose. Com o tempo, o v\u00edrus sofreu modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e passou a permitir a transmiss\u00e3o de pessoa para pessoa. No entanto, n\u00e3o se trata de uma doen\u00e7a com alta transmissibilidade, como ocorreu com a covid-19 ou o sarampo. \u00c9 uma doen\u00e7a de vigil\u00e2ncia, ou seja, conseguimos identificar precocemente os casos, isolar pacientes e monitorar contactantes. Al\u00e9m disso, apresenta baixa letalidade, o que dificulta classific\u00e1-la como uma nova epidemia neste momento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apesar dos n\u00fameros, ainda n\u00e3o se trata de um surto. A partir de que momento podemos ter essa preocupa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Recentemente, a mpox apresentou comportamento semelhante ao de uma Infec\u00e7\u00e3o Sexualmente Transmiss\u00edvel (IST), porque as les\u00f5es de pele \u2014 principal sintoma da doen\u00e7a \u2014 podem facilitar a transmiss\u00e3o em contatos \u00edntimos e prolongados. No entanto, para caracterizar surto ou epidemia, \u00e9 necess\u00e1rio haver transmiss\u00e3o sustentada na comunidade, o que ainda n\u00e3o est\u00e1 configurado. Apesar do aumento de casos, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de dissemina\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e descontrolada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ela n\u00e3o \u00e9 uma IST, certo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o. A mpox n\u00e3o \u00e9 exclusivamente transmitida por contato sexual. A transmiss\u00e3o ocorre pelo contato direto com les\u00f5es de pele, secre\u00e7\u00f5es, objetos contaminados e contato f\u00edsico prolongado. N\u00e3o est\u00e1 relacionada a um grupo espec\u00edfico de pessoas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o os sintomas da mpox?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ap\u00f3s o contato com o v\u00edrus, h\u00e1 um per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o que pode chegar a 15 dias, com sintomas surgindo, geralmente, a partir do quinto dia. Inicialmente, a pessoa pode apresentar febre, dores musculares e aumento dos linfonodos. Em seguida, surgem les\u00f5es na pele, que costumam come\u00e7ar na cabe\u00e7a \u2014 inclusive, atr\u00e1s das orelhas \u2014 e podem se espalhar para o restante do corpo, inclusive, p\u00e9s e m\u00e3os.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Existem sequelas duradouras?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em pessoas sem comorbidades, as les\u00f5es tendem a cicatrizar naturalmente, embora possam deixar marcas na pele. Caso haja manipula\u00e7\u00e3o das feridas, pode ocorrer infec\u00e7\u00e3o bacteriana secund\u00e1ria. J\u00e1 em pacientes imunossuprimidos, as complica\u00e7\u00f5es podem ser mais graves, incluindo quadros como encefalite.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como as pessoas podem se proteger e se tratar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>A principal forma de preven\u00e7\u00e3o \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o. Como a transmiss\u00e3o ocorre por contato direto e prolongado, \u00e9 importante evitar contato com les\u00f5es suspeitas e n\u00e3o compartilhar objetos pessoais. Pessoas com m\u00faltiplos parceiros sexuais devem redobrar a aten\u00e7\u00e3o, independentemente de g\u00eanero ou orienta\u00e7\u00e3o sexual. A vacina\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), mas ainda \u00e9 direcionada a grupos priorit\u00e1rios, como pessoas imunossuprimidas e profissionais de sa\u00fade. Quem \u00e9 diagnosticado com mpox deve permanecer isolado at\u00e9 o desaparecimento completo das les\u00f5es, pois a transmiss\u00e3o pode ocorrer enquanto houver feridas ativas \u2014 em alguns casos, por mais de quatro semanas, especialmente em pacientes com baixa imunidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Brasil registrou 38 casos de sarampo no ano passado. Precisamos nos preocupar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>O sarampo \u00e9 uma doen\u00e7a extremamente contagiosa, com alto \u00edndice de transmiss\u00e3o. Pode causar febre alta, coriza, tosse, fadiga e manchas pelo corpo, al\u00e9m de complica\u00e7\u00f5es graves, principalmente em crian\u00e7as menores de dois anos, idosos e imunossuprimidos. A principal preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 na baixa cobertura vacinal, que pode favorecer novos surtos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem j\u00e1 teve sarampo pode contrair novamente? E quem n\u00e3o sabe se foi vacinado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quem j\u00e1 teve sarampo desenvolve imunidade duradoura e n\u00e3o volta a contrair a doen\u00e7a. Em caso de d\u00favida sobre vacina\u00e7\u00e3o, especialmente antes de viagens, cirurgias ou transplantes, \u00e9 fundamental procurar orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u2014 preferencialmente de um infectologista \u2014 para avalia\u00e7\u00e3o do cart\u00e3o vacinal, realiza\u00e7\u00e3o de exames sorol\u00f3gicos, se necess\u00e1rio, e atualiza\u00e7\u00e3o das vacinas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henrique Lacerda, infectologista do Hospital Bras\u00edlia, afirma que n\u00e3o h\u00e1 epidemia, mas refor\u00e7a que informa\u00e7\u00e3o e isolamento s\u00e3o essenciais para preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a CB. 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